Juta e café: uma história de mais de 200 anos

A grande indústria exportadora de café está abandonando a saca de juta progressivamente, mas pode ficar tranquilo que as charmosas embalagens não vão sumir do nosso meio. Afinal de contas elas já são parte da história brasileira: desde o século XVIII são utilizadas para transportar o grão que tanto amamos.

Segundo especialistas elas continuam sendo a melhor opção para cafés diferenciados e de qualidade mais apurada (caso dos grãos colhidos nas fazendas do Café Cultura). As vantagens são inúmeras: Melhor circulação de ar, facilidade de inspeção e armazenamento por longos períodos sem preocupação são apenas algumas delas.

Mas aqui vai uma curiosidade: você sabia que, apesar do nome ser “saca de juta”, a matéria-prima principal é a malta? Durante o processo de fabricação das sacas elas são plantadas e processadas como se fossem iguais e a malta compõe cerca de 90% da embalagem final.

Depois de crescer nas margens dos rios, a juta (e a malta) passa pela maceração a fim de retirar a fibra natural. Essa fibra bruta é prensada e banhada em óleo vegetal, depois é novamente pressionada para afinar e ter mais resistência. Antes de ganhar a forma que conhecemos, ela ainda passará por peneiras, será reduzida a fio e será misturada com goma de amido de milho para engrossar.

Em tempos que a sustentabilidade é amplamente debatida e divulgada, a escolha pela juta no transporte do café é acertada por não agredir o meio ambiente: o plantio dispensa queimadas e desmatamentos, o agricultor não precisa se preocupar nem com o adubo, pois já vem dos rios, e o produto final é biodegradável. Não há deterioração ambiental.

As sacas de juta são um ícone da cultura cafeeira e unidade padrão de medida para o comércio. O relacionamento com café é tão próximo e duradouro que o Museu do Café, em Santos, fez uma exposição sobre a indústria da sacaria entre dezembro e abril contando toda a história dessa parceria desde o século XVII até os dias atuais.

Os grandes exportadores podem até ter seus motivos para trocar as sacas tradicionais por grandes embalagens de uma tonelada, mas a juta tem o seu charme e não vamos largar tão cedo.

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